A receita do shoo para Viver de Propósito tem 3 pilares:

  1. Escolhe Mestria.
  2. Põe-te a Jeito.
  3. Abraça o Processo.

Este texto é sobre a 3ª fase – Abraça o Processo.

Um dos aspectos mais negligenciados no mundo do auto-conhecimento e formação é o nível de fricção com que teremos que nos relacionar.

E por isso somos levados a concluir que “há algo de errado connosco mesmos” quando deparamos com o quão desmotivador pode ser lidar com a resistência interna.

Não há nada de errado: há sim novas linhas de relação a serem desenvolvidas.

Esta é a diferença entre reconheceres o teu potencial – na forma de livros, tomadas de consciência e formações em que participaste até hoje – e viveres consistentemente o potencial no teu dia-a-dia.

Os cursos de desenvolvimento pessoal são frequentemente “floreados” com uma fantasia de que vai ser tudo óptimo:

  1. Este é o potencial que vive em ti.
  2. Esta é a técnica que te vai permitir activá-lo.
  3. Agora vai e aplica. É simples.

É raro trazer-se à luz a frustração de termos que lidar com a resistência interna e a tendência para procrastinar a acção certa.

  • “Epá… mas isto está a criar fricção.”
  • “Pois… mas a fricção é tua. Lida com isso.”

A fricção é inevitável quando nos propomos a evoluir e viver conscientemente: é a mó que vai polindo o diamante interno.

Mas é uma parte do processo! Não tem que ser a conclusão do processo.

Requer sensibilidade. Requer recursos. E há sempre um ponto de viragem.

Quando fundei o shoo fi-lo também a partir da perspectiva de que queria meditar diariamente – e empreender este projecto pessoal seria uma âncora para essa prática de consciência.

Ao fim de 12 meses estava pronto para desistir, perante a fricção externa… e sobretudo interna!

Se as coisas não estavam a correr às mil maravilhas por fora, por dentro então o tumulto era enorme.

Nessa altura a minha rotina matinal passava por me sentar em silêncio por 30 minutos. Preparava o despertador e lá permanecia eu.

Tinha começado com um período experimental de 20 minutos que fui expandindo pouco a pouco.

Mas nesta fase particular não “aguentava” estar quieto (atenção ao verbo em itálico) por mais de 10.

O resto do tempo era uma luta comigo mesmo (fricção).

Ao ponto de desenvolver um padrão automático de me levantar antes do toque do despertador, como se estivesse submerso há demasiado tempo e tivesse que vir à superfície respirar.

Depois de 3 meses de frustração, impotência, auto-julgamento, desespero e exigência lá surgiu finalmente o ponto de viragem:

  • “Fizeste disto uma prova a ser superada.”
  • “E estás a competir contigo mesmo – criando divisão interna.”
  • “Não é suposto retirares valor-próprio da tua prática”
  • “Re-inventa a tua relação com esta parte de ti. Abraça-a. Redime-a.”
  • “E deixa ir.”
  • “Não há nada de errado: é parte do processo.”

E a meditação matinal passou a ser um prazer (até despertar nova fricção).

A resistência é parte inerente do processo. Empreenderes o novo obrigar-te-á a lidares com fricção:

  • Com os outros.
  • Com as expectativas goradas.
  • E contigo próprio/a.

O atrito é inevitável: sem ele não haveria tracção.

O convite é que encontres novas perspectivas e possibilidades de relacionamento com essas partes de ti que virão à superfície:

  • Que aprendas a relaxar no centro do furacão.

A transformação que daí advém é redentora.

Até já***
João Diogo

Recebe os Artigos por Email…

Subscrever
Subscrever