A intenção da Rita para a nossa conversa era ver-se livre do estado interno de adiamento que pouco a pouco lhe estava a drenar o entusiasmo e a confiança em si mesma.

E o prazer de criar e de empreender de novo.

  • Queria perceber o porquê? da sua letargia – e o que podia fazer para voltar a encontrar com o seu antigo eu.
  • E queria voltar a comprometer-se – e ser capaz de dar tudo pelas suas ideias.

À semelhança da Rita, é frequente atender alunos que se encontram num limbo de propósito (apesar dos sucessos do passado).

Sabem o que querem e até sabem o que “têm que fazer” – mas não encontram a maneira de lá chegar.

Não conseguem criar as conexões entre a estação de partida e a de chegada na sua nova vida

E agora passam o dia a argumentar consigo mesmos – a partir de um espaço de divisão interna:

  1. Entre a parte de si que se julga por continuarem a adiar o que “deveriam” estar a fazer.
  2. E a parte de si que está ocupada e a tratar de uma data de outros assuntos (que “têm que ser feitos” mas não incluem o que sabem que querem fazer).

Quando lhes pergunto o que é que acham que está em falta – ou qual seria a solução – costumo ouvir respostas como:

  • “Tenho que ser mais confiante.”
  • “Preciso de ter maior compromisso.”
  • “Motivação. Tenho que me motivar mais.”
  • “Confiança? Como é que se obtém?” – pergunto-lhes eu.

E cai o silêncio:

  • “Não sei.”
  • “Já tentei tantas coisas e acabo sempre por voltar aqui…”
  • “Acho que é por isso que estou neste limbo há tanto tempo.”

O ponto em comum entre todas estas soluções…

  • Mais confiança,
  • Maior compromisso,
  • Motivação,
  • Melhor organização,
  • Mais foco…

É que são todas consequências: nenhuma delas pode ser obtida agindo directamente sobre ela mesma.

  • A confiança é um subproduto da competência. Quanto mais proficiência desenvolvo num determinado assunto, mais confiante me sinto. E quanto mais confiante me sinto, mais competência desenvolverei…
  • O compromisso é um subproduto da assertividade – de saber dizer sim e dizer não.
  • A motivação é a consequência de saber silenciar o drama interno – e dar espaço à resposta da que vem da intuição.

Existe a tendência para confundirmos sintomas com a causa desses mesmos sintomas.

É a razão pela qual ficamos presos em ciclos de estagnação e adiamos influenciar aquilo que nos pode libertar para a criação do novo.

A falta aponta sempre para o desenvolvimento de uma nova competência.

Até já***
João Diogo

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